Obesidade e sua influência na apneia do sono

A obesidade é a doença metabólica mais comum no mundo e atinge todas as faixas etárias independente da condição socioeconômica. Em recente publicação americana, pesquisadores sugerem que 35,5% dos homens e 35,8% das mulheres americanas são obesos. Além disso, o excesso de peso é o principal fator de risco para o desenvolvimento da apneia do sono e esses dois problemas se relacionam de forma íntima.

Com o excesso de peso, a gordura corporal se distribui por todas as partes do corpo. Contudo, o acúmulo de gordura também ocorre nas paredes internas do pescoço numa região posterior da língua tornando-as mais flácidas e com maior propensão ao desabamento e ao colapso interno. Isso gera ronco e apneia obstrutiva do sono.

Já durante as fases mais profundas do sono, há relaxamento fisiológico dos músculos da região do pescoço determinando maior fragilidade, estreitamento da passagem do ar e dificuldade da manutenção da respiração. A partir daí, o risco da apneia se eleva, pois existem fases do sono onde o relaxamento muscular é intenso (sono REM) e os ciclos de sono profundo ocorrem durante toda a noite. Essa instabilidade, somada à obesidade, gera redução da ventilação pulmonar e obstrução da passagem do ar, e isso, pode caracterizar a apneia do sono com todos os efeitos danosos ao organismo.

Devido às interrupções na respiração (apneias), há fragmentação do sono, redução da qualidade e perda do sono retaurador onde geralmente recuperamos as energias para o dia seguinte. Outro fator de grande importância e a redução dos níveis de oxigênio do sangue por consequência da apneia. Isso eleva do risco de eventos agudos com arritmias cardíacas, infarto do miocárdio e AVC isquêmico. Outros problemas graves de saúde podem se desenvolver de forma crônica, ao longo de anos, devido à apneia (hipertensão arterial sistêmica, doenças neurodegenerativas, impotência sexual, diabetes, entra outras). Em alguns casos, a redução do peso pode aliviar bastante a gravidade da apneia. Porém, como existem outros fatores que também geram apneia do sono, além do excesso de peso, mesmo com a perda de peso a apneia pode se manter ativa. Nestes casos, costuma-se indicar a utilização do CPAP ou do BPAP para controle do eventos respiratórios noturnos.

A obesidade pode prejudicar o funcionamento do sistema respiratório de forma significativa. Pesquisadores mostraram que quanto maior a gravidade da obesidade, pior é a capacidade respiratória. Esses estudos demonstraram que a partir do IMC (Índice de massa Corporal) > 30 kg/m2as pessoas podem ter redução da capacidade de encher os pulmões. Isso se caracteriza como um distúrbio respiratório restritivo, impedindo a expansão fisiológica dos pulmões e comprometendo o sono. Na obesidade grau III (IMC > 40 kg/m2), o aprisionamento de ar nos pulmões já é observado, causando dificuldades respiratórias em atividades diárias (ex. banho, alimentação, lazer, etc).

Por fim, se há obesidade deve-se ter cuidado e adotar medidas para perda de peso, existem várias opções conservadoras e cirúrgicas desde tratamento farmacológico, reeducação alimentar, atividade física até cirurgia bariátrica. Contudo, a atenção deve ser redobrada com a presença de sintomas de distúrbio respiratório do sono como excesso de sono durante o dia, sensação de sufocamento, ronco alto ou engasgos à noite, cansaço físico (mesmo depois de uma noite inteira).

Em certos casos, a única forma de controle da apneia passa pela utilização do CPAP ou do BPAP.

Até breve!

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