Três perguntas sobre Apneia Obstrutiva do Sono

O que é Apneia Obstrutiva do Sono – AOS?

São episódios noturnos e repetidos de interrupção do ritmo respiratório (apneia) ou redução da amplitude da respiração (hipopneia) causados pelo colapso das vias aéreas superiores associados à redução da oxigenação do sangue e deficiência na ventilação pulmonar. Para uma interrupção do ritmo respiratório ser considerada “apneia do sono”, deverão ocorrer mais de cinco (05) apneias por hora com duração mínima de dez (10) segundos. O ronco, geralmente está associado à apneia mas ambos podem acontecer de forma independente.

A AOS é comum na população geral e sua prevalência é de 2% nas mulheres e de 4% nos homens, a obesidade é o principal fator de risco. Em população específicas, como os cardiopatas, essa prevalência aumenta bastante chegando a 80%.

Quais são as principais consequências da AOS?

A AOS causa vários problemas como elevação do risco para hipertensão arterial, infarto do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca e até mesmo depressão. Esses problemas ocorrem devido, principalmente, a três fatores:

– Redução dos níveis de oxigênio em regiões extremamente importantes para no nossa vida, como o coração e o cérebro;

– Elevação do esforço respiratório durante a apneia. Isso sobrecarrega o coração e causa fragmentação do sono com despertares frequentes;

– Privação do sono.

Esses fatores causam problemas devido aos mecanismos envolvidos na resposta do nosso corpo à baixa oxigenação do sangue. Após um episódio de apneia os níveis de oxigenação do sangue ficam baixo causando ativação do sistema nervoso simpático (responsável pelas reações orgânicas ao estresse do dia-a-dia), essa “ativação simpática”  leva a uma vasoconstrição pulmonar e sistêmica (redução do calibre dos vasos sanguíneos). As principais consequências dessas alterações vasculares são o desenvolvimento da hipertensão arterial e o surgimento de doença cardíaca isquêmica. Outro problema cardiovascular causado pela apneia obstrutiva do sono ocorre quando o esforço respiratório se torna excessivo contra a via aérea ocluída, isso sobrecarrega o coração e pode gerar síndromes de baixo débito cardíaco como a insuficiência cardíaca congestiva.

Os distúrbios respiratórios do sono influenciam principalmente o sistema cardiovascular e pioram o prognóstico de pessoas com insuficiência cardíaca. A dessaturação de oxigênio maior que 4% já está associada a doença cardiovascular independente de outros fatores.

Quando observamos a alta prevalência e a grande associação de fatores etiológicos, comuns entre as duas entidades clínicas (doença cardíaca e apneia), entendemos que aqueles pacientes com diagnóstico de cardiopatia devem ser submetidos à avaliação da qualidade do sono de forma rotineira. Estima-se que 40% dos pacientes com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva tenha apneia do sono. Outro ponto relevante é a associação entre apneia do sono e as doenças neurodegenerativas com demências, síndrome de Parkinson, Alzheimer entre outras.

Quais os principais sintomas relacionados à AOS?

– Sonolência diurna e fadiga física

– Redução na capacidade de concentração e memória;

– Depressão

– Acordar bruscamente durante à noite com falta de ar;

– Insônia;

– Necessidade de urinar várias vezes durante à noite;

– Roncos e engasgos.

Atualmente, o controle da SAOS é realizado por meio do CPAP (Continuous Positive Airway Pressure). Esse equipamento gera fluxo de ar contínuo e mantém as VAS abertas durante o sono, evitando assim o fechamento ou colapso (apneia obstrutiva). Mulher com doença neuromuscularFalaremos desse tópico no próximo post.

Até breve!

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