Ventilação Não-Invasiva (VNI) nas doenças neuromusculares

“A ventilação não-invasiva é efetiva em prolongar a sobrevida e retardar o declínio da capacidade vital forçada (CVF) em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA.”  Esse texto acima foi publicado em 2009 na Neurology, uma das revistas mais respeitadas do mundo na área de neurologia.

No artigo, há várias recomendações baseadas em evidências científicas para manejo e tratamento da ELA, e dentre estas, a indicação de ventilação não-invasiva (VNI) e ventilação invasiva. Como a VNI envolve condutas de menor complexidade iremos nos concentrar objetivamente na indicação desta modalidade nas doenças neuromusculares.

Como funciona e quando usar a Ventilação Não-Invasiva

Os princípios de funcionamento e os mecanismos de ação da VNI são idênticos na totalidade das enfermidades neuromusculares. Os dois grandes objetivos da VNI são a reversão da hipoventilação e hipoxemia, e o repouso muscular respiratório. A necessidade do suporte ventilatório ocorre quando os mecanismos determinantes da insuficiência respiratória crônica estão presentes. Nas doenças neuromusculares, a falência ou fraqueza progressiva dos músculos respiratórios leva ao quadro de insuficiência respiratória devido à hipoventilação alveolar. As principais características desse distúrbio envolvem mecanismos crônicos e consequentes da incapacidade de eliminar CO2 e captar O2.

É importante ressaltar que o impacto da fraqueza muscular respiratória se desenvolve primariamente durante o sono, e por isso, precisa ser identificado e controlado rapidamente. Nesse contexto temos duas linhas de investigação para, de forma precoce, percebermos a necessidade de VNI. A primeira, é a observação dos principais sintomas da hipoventilação noturna:

  1. Sono fragmentado (acorda várias vezes ou agitação);
  2. Cefaléia matinal (dor de cabeça ao acordar que diminui com o passar do tempo);
  3. Sonolência diurna (sono durante o dia em situações onde normalmente não ocorreria);
  4. Fadiga (cansaço físico e/ou mental);
  5. Insônia (incapacidade de dormir);
  6. Ortopneia (falta de ar ao deitar, principalmente de barriga para cima);
  7. Enurese (perda involuntária de urina diurna ou noturna);
  8. Deficiência na memória e/ou na capacidade cognitiva.

Esses sintomas muitas vezes são percebidos primeiro pelas pessoas que convivem com o paciente do que pelo próprio paciente. Os pais, o (a) cônjuge nestes casos são observadores privilegiados.

Ventilação não-invasiva em crianças

Outra forma de avaliação trata a hipoventilação noturna de forma objetiva. A obtenção de dados numéricos facilita a compreensão de todos os envolvidos e define o distúrbio.

Por fim, há também contra-indicações relativas para utilização da VNI que devem ser constantemente avaliadas. Dentre as principais estão a necessidade de sedação e altos fluxos de oxigênio, fraqueza bulbar com perda do controle da glote, condições que inviabilizem a adaptação da interface (deformidade, fratura, queimaduras, etc.) e assistência inadequada (cuidador, família ou fisioterapeuta).

Até a próxima!!
Fontes bibliográficas: Neurology 2009;73:1218-26 e Sleep Med Clin 2014;9:315-325

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